Patrick Chardenet, o Membro da Semana, é pós-doutorado em língua e literatura, tendo estudado na Université de Franche Comté, Université Paris 3 e Université Paris 10. Atualmente é diretor executivo do programa de “Língua francesa, diversidade cultural e lingüística” da Agência Universitária da Francofonia (AUF).
A AUF tem como vocação favorecer o desenvolvimento da pesquisa, por meio da criação de redes de pesquisadores para os quais o francês é uma língua de trabalho. Norteada pelos princípios de solidariedade e diversidade, apóia ações de pesquisa com o objetivo de produzir e divulgar conhecimentos.
Como a Agência Universitária da Francofonia está presente no Brasil?
A Agência conta hoje com 692 estabelecimentos membros, em mais de 81 países dos cinco continentes. É uma das maiores redes universitárias do mundo. Seis universidades brasileiras fazem parte dela. A USP e a UFRJ associaram-se em 2005; a UERJ e a Unicamp, em 2006; a UFPR e a UEFS, em 2007. A PUCSP, a Universidade Federal de Pernambuco e a Universidade Federal Fluminense estão em contato para um pedido de adesão em 2008 ou 2009.
Estamos também em contato com a FAPESP – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, com a AULP – Associação das Universidades de Língua Portuguesa e com outras instituições para desenvolvimento de acordos.
Ao nível individual, vários pesquisadores fazem parte de nossas vinte redes de pesquisa, como o professor Carlos B. Vainer, que lidera o pólo de excelência em planejamento urbano e regional que reúne Brasil, Argentina e Canadá (Universidades de São Paulo, Buenos Aires, Quebec, Laval e Montreal ) sob a coordenação do ETTERN/IPPUR/UFRJ Laboratório Estado, Trabalho, Território e Natureza, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Integra também. Esse pólo de excelência, um dos 20 que existem hoje no mundo, recebe um financiamento da AUF 100 mil euros para três anos (seleção 2007-2010).
Quem pode se tornar membro da AUF? Quais são os requisitos? É suficiente que a universidade que quer aderir proponha, em suas formações, uma Licenciatura em francês, ou um curso onde a língua francesa desempenhe um papel central.
Como você avalia a presença e a difusão do idioma francês no Brasil atualmente?O francês está em retrocesso relativo. Retrocesso institucional em relação ao período em que era obrigatório no ensino secundário (antes de 1971). Está em expansão numérica bruta tendo em conta o aumento natural do número de estudantes universitários e o desenvolvimento das cooperações interuniversitárias nos últimos 30 anos. E também está em aumento qualitativo pela demanda de cursos de francês nos centros de línguas: há milhares de estudantes que desejariam aprender francês e que cada ano não encontram vagas na USP, na UNICAMP, na UFPR (citando as que conheço, devem haver outras na realidade).
Permanece também uma língua importante de comunicação científica. Um exemplo: o site oficial brasileiro das teses http://bdtd.ibict.br , coloca on-line as teses produzidas pelos estudantes brasileiros no seu país ou no exterior. Assim o leitor de língua francesa pode consultar o texto integral de teses em francês produzidas no âmbito de acordos interuniversitários (duplos diplomas, cotutelas, etc.)
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